Nesta “pequena” história da infância
de Roosevelt é possível reafirmar o pressuposto que com a oportunidade e o apoio certo, atempado, se pode estimular o
desenvolvimento físico, emocional e/ou intelectual, da criança em desvantagem, de forma mais integrada.
“Theodore Roosevelt, o vigésimo sexto presidente dos Estados Unidos,
era um homem robusto que gostava da vida ao ar livre. Enquanto jovem,
demonstrou muito interesse pela natureza e queria ser zoólogo. Também gostava
de aventuras. (…) Antes de se tornar presidente, viveu dois anos numa quinta do
Dakota do Norte organizou e dirigiu um regimento de cavalaria voluntário, o
Roosevelt’s Rough Riders. Depois de deixar a Casa Branca, orientou uma grande
expedição de caça grossa na África Oriental (…) e uma expedição exploratória à
América do Sul, de que resultou a descoberta de um afluente do rio Madeira.
Escreveu vários livros sobre estas experiências, um dos quais tem por título
“Vida Árdua” (The Strenuous Life, 1990).
No entanto,
enquanto criança em Manhattan, “Teedie”, como era conhecido, era uma criança
fraca e débil de saúde, sofrendo de asma. Ele e as suas duas irmãs e irmão passavam o verão no campo, nadando, remando, fazendo caminhadas, apanhando maçãs, caçando rãs e montando um pónei Shetland. Contudo, e apesar de toda esta saudável actividade, ele "continuava a ter noites respirando mal, dias com reacções de exaustão, com as suas pernas finas, face pálida e indisposições digestivas". (Putnam, 1958, p.33). Demasiado doente para frequentar
a escola regularmente, foi ensinado em casa por um tutor.
Quando Teedie
tinha 10 ou 11 anos, o seu pai (…) disse-lhe que tinha de melhorar a sua
condição física. “Tens a cabeça, mas não tens o corpo”, disse-lhe o mais velho
Roosevelt, “e, sem a ajuda do corpo, a mente não poderá ir tão longe como
deveria” (Pringle, 1931,p.17).
Um amplo
quarto no segundo andar da casa de pedra acastanhada da família (…) foi
convertido em ginásio. Aí o rapaz dedicou-se com zelo ao treino no saco de
boxe, halteres e barras paralelas. Mais tarde, um ataque de asma levou a que a
sua família o mandasse para Moosehead Lake. Durante a viagem, um grupo de
rapazes na carruagem troçaram dele sem misericórdia, mas ele sentia-se
demasiado fraco para lhes ripostar. Humilhado, decidiu melhorar a sua saúde e
força física começando de imediato lições de boxe. À medida que cresceu em
estatura e capacidade torácica, ganhou também auto-confiança.
A asma não foi
o seu único problema. Aos 13 anos, (…) descobriu que era míope. (…) Agora
percebia a razão porque, ao longo da sua infância, estivera sempre em
desvantagem (…) “Eu era um rapazito desajeitado e desastrado”, escreveu na sua
autobiografia, “e…em grande parte isso deveu-se ao facto de eu ver mal e ainda
por cima o ignorar completamente”. A
memória da sua incapacidade em criança não diagnosticada deu-lhe “uma intensa
simpatia” pelos esforços “para irradicar as causas físicas da deficiência nas
crianças, que são muitas vezes injustamente acusadas de obstinadas ou pouco
ambiciosas, ou mentalmente incapazes” (Roosevelt, 1929,p.18).
In, “A Child’s World: Infancy
Through Adolescence” (8ª edição), p.393-394

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