Qualidade, diferenciação, sucesso - vértices destacados no testemunho de uma colega cuja tese de mestrado teve como tema o Projeto Fénix:
"No âmbito de um trabalho empírico que intitulei de Projeto Fénix. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso, foram tecidas algumas considerações que entendi como pertinentes relativamente à implementação do Projeto Fénix num Agrupamento de Escolas.
De entre essas considerações foi inevitável a abordagem da qualidade do ensino, consciente de que é um conceito de natureza polissémica e difícil de operacionalizar, mas que permitiu evidenciar conceções que ainda registam alguma colagem à convicção de que diferenciar é nivelar por baixo ou é sinónimo de facilitismo. Desta forma, convém esclarecer a cristalização de tais conceções arreigadas a mitos que, tendencialmente, subestimam a diferenciação como pedra angular de um ensino de qualidade.
A partir de investigações realizadas, apurou-se que após a grande mudança resultante da massificação da educação, mantendo-se inalteradas as lógicas de funcionamento, as metodologias e a oferta curricular, gerou-se uma primeira vaga de acréscimo de situações de insucesso e abandono escolar. Perante tais danos, surgiu um movimento adaptativo à diversidade do público escolar que se traduziu, na opinião de Roldão (2005) quase impercetivelmente, num abaixamento gradual da qualidade das aprendizagens, acompanhado por uma correlativa inflação na avaliação certificativa, como subterfúgio de recurso, usado como regulador artificial das discrepâncias encontradas.
A complexidade das situações que caracteriza as sociedades do conhecimento coloca desafios a professores e a alunos que, no século XXI, requer uma abordagem qualitativamente distinta ao ensino (Andy Hargreaves, 2003). Neste sentido, o Projeto Fénix constitui-se como um processo potencialmente adequado para articular a promoção da qualidade das aprendizagens para todos com a necessária diferenciação de abordagens.
A literatura tem vindo a demonstrar que perante as diversidades dos alunos, a estratégia a adotar não será o “baixar” a exigência, mas sim o despertar da crença e do reconhecimento da educabilidade do ser humano (Matias Alves, 2011; Carneiro, 2001).
A génese do Projeto Fénix visa, de entre outros objetivos, uma distribuição dos recursos mais uniforme, no sentido de elevar a qualidade do sucesso (Luísa Moreira, 2009), conducente a uma ação educativa exigente e com rigor, compreendendo no entanto que uma exigência responsável não pode ser desproporcionada e servir para excluir (Matias Alves, 2011).
Concretizando, a qualidade do ensino depende, sobremaneira, como é referido por Hopkins (2003), de práticas de ensino bem sucedidas, [que] estudadas na investigação, são recorrentemente aquelas que apostam em organizar estratégias de diferenciação autêntica para os seus diferentes estudantes."
Ana Nunes, Coordenadora Fénix, Azambuja.

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