É possível ler-se na edição online do Expresso um artigo cujo título «A miséria no tempo da
"ordem" económica» apela à ideia de uma super
regulação económica e financeira coexistente com a desregulação social que
existe na realidade grega.
O curto artigo destaca os processos de auxílio aos mais
carenciados, nomeadamente aqueles que nunca necessitaram de qualquer apoio
estatal ou da parte da sociedade civil. Que nunca equacionaram vivenciar uma
situação de pobreza, porque a sua rotina era estável, tanto ao nível da relação
com o emprego, como em termos económicos.
Uma alteração de paradigma que não foi seletiva, afetando todos os estratos
sociais, e gerando aquilo a que os gregos designam de "neopobres" ou
"sem abrigo com iPhone".
Não é difícil a transposição de igual linha de pensamento para a realidade
portuguesa...
Muitos de
nós num ato cívico vamos dando algum do
nosso tempo ao voluntariado e vamos ficando angustiados com situações com que
diariamente nos deparamos: há dias uma mãe procurava ajuda porque há uma semana
que mal se alimentava para poder custear as despesas de transporte, e outras
inerentes à frequência da sua filha na faculdade. Dias depois, uma outra mãe
pedia à instituição onde tem a sua educanda no infantário se a podiam ajudar
com alimentos, pois o casal estava desempregado, terminaram os subsídios, o
emprego não surge e os encargos estão aí para ser assumidos.
São muitas
as famílias que pedem ajuda, e famílias que há algum tempo atrás jamais lhes
passaria pela cabeça uma situação destas!
Nos tempos
atuais, e tal já vem sendo formulado desde os anos 90, é cada vez mais
relevante que a ineficácia do Estado Providência seja colmatada pelo que Boaventura de Sousa Santos designa de
Sociedade Providência, e que descreve como sendo " (...) as redes de
relações de interconhecimento, de reconhecimento mútuo e de
entreajuda baseadas em laços de parentesco e de vizinhança, através das
quais pequenos grupos sociais trocam bens e serviços numa base não
mercantil e com uma lógica de reciprocidade (...) ".
Uma
estrutura de cariz informal essencial para corrigir as situações de pobreza,
muitas vezes extrema!

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