Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Pobreza(s)


É possível ler-se na edição online do Expresso um artigo cujo título  «A miséria no tempo da "ordem" económica» apela à ideia de uma super regulação económica e financeira coexistente com a desregulação social que existe na realidade grega.

O curto artigo destaca os processos de auxílio aos mais carenciados, nomeadamente aqueles que nunca necessitaram de qualquer apoio estatal ou da parte da sociedade civil. Que nunca equacionaram vivenciar uma situação de pobreza, porque a sua rotina era estável, tanto ao nível da relação com o emprego, como em termos económicos.

Uma alteração de paradigma que não foi seletiva, afetando todos os estratos sociais, e gerando aquilo a que os gregos designam de "neopobres" ou "sem abrigo com iPhone".

Não é difícil a transposição de igual linha de pensamento para a realidade portuguesa...

Muitos de nós  num ato cívico vamos dando algum do nosso tempo ao voluntariado e vamos ficando angustiados com situações com que diariamente nos deparamos: há dias uma mãe procurava ajuda porque há uma semana que mal se alimentava para poder custear as despesas de transporte, e outras inerentes à frequência da sua filha na faculdade. Dias depois, uma outra mãe pedia à instituição onde tem a sua educanda no infantário se a podiam ajudar com alimentos, pois o casal estava desempregado, terminaram os subsídios, o emprego não surge e os encargos estão aí para ser assumidos. 

São muitas as famílias que pedem ajuda, e famílias que há algum tempo atrás jamais lhes passaria pela cabeça uma situação destas!

Nos tempos atuais, e tal já vem sendo formulado desde os anos 90, é cada vez mais relevante que a ineficácia do Estado Providência seja colmatada pelo que Boaventura de Sousa Santos designa de Sociedade Providência, e que descreve como sendo " (...) as redes de relações de interconhecimento, de reconhecimento mútuo e de entreajuda baseadas em laços de parentesco e de vizinhança, através das quais pequenos grupos sociais trocam bens e serviços numa base não mercantil e com uma lógica de reciprocidade (...) ".

Uma estrutura de cariz informal essencial para corrigir as situações de pobreza, muitas vezes extrema!

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