Partilho este post que a nossa amiga Isabel Campeão colocou no seu blogue e que trata um tema com o qual muito me identifico. Continuo a acreditar que as oportunidades dadas no momento certo muito podem ajudar os nossos alunos.
Considerações sobre dois pensamentos sábios
O maior bem que
podemos fazer aos outros não é oferecer-lhes a nossa riqueza, mas levá-los a
descobrir a deles. Louis Lavelle
Nós não temos todos o mesmo talento, mas todos nós
deveríamos ter a mesma oportunidade de desenvolver os nossos talentos. John
F. Kennedy
Estes pensamentos até poderiam ser interpretados erradamente
em tempos passados, quando a escolaridade não era obrigatória, estudar era para
as "elites". A frase que ouvi algumas vezes de um pai ou uma mãe -
"o meu filho não tem jeito para os estudos" - poderia significar que
o "talento" do aluno não dava para mais do que vir a ser qualquer
coisa como ajudante de pedreiro (sem desprimor da minha parte para os ajudantes
de pedreiro).
Não! O que me leva a considerar aqueles pensamentos situa-se
no âmbito das estratégias para o sucesso escolar de todos através da motivação
e da elevação da autoconfiança dos alunos que revelam (aparentes) dificuldades
de aprendizagem ou até dificuldade de integração na Escola. Eu explico:
1º - Todas as crianças revelam algum talento ou aptidão,
mesmo que não seja no âmbito curricular. A descoberta por um professor dessa
aptidão pode ser muito importante, não numa perspetiva que não faz sentido para
mim de um ensino diferenciado assente em aptidões precoces, mas sim como
indicador de uma primeira estratégia de motivação e ganho de
autoconfiança. A proposta à criança de uma tarefa baseada na aptidão
descoberta, por parte de um professor, ou de um diretor de turma numa atividade
extra-curricular, permitirá valorizar o sucesso dessa criança na tarefa, o que
a fará feliz e logo elevará as suas auto-imagem e auto-estima no seio da turma.
Tenho escrito várias vezes que até os comportamentos agressivos e
desestabilizadores de alguns alunos não são mais do que modos pouco
conscientes de afirmação de quem, no fundo, não vê em si mesmo outro modo de
afirmação - outra capacidade que seja positiva.
2º - Também evoquei várias vezes resultados de
investigações, por exemplo no âmbito da psicologia da aprendizagem, que
fundamentam a minha crença de que toda a criança (não portadora de deficiência
profunda) tem capacidade para aprender, significando as dificuldades que muitas
revelam que simplesmente ainda não descobriram (ou consciencializaram) como
direcionar a sua mente nas situações de aprendizagem/estudo - como
"meterem a cabeça" no problema a resolver ou no texto a interpretar,
em vez de estarem preocupados a encontrar na memória algo que estudaram e
encaixe na tarefa, sem de facto usarem o raciocínio. E isto agora já tem a ver
com a "riqueza" ou o "talento" pessoal mais geral, que é a
capacidade de raciocinar, a capacidade de monitorar a mente em contexto
escolar, ainda escondida - ainda não descoberta ou aprendida.
Isto levar-me-ia à minha defesa de que os professores
aprendam "técnicas", digamos antes 'estratégias' de colocação dos
alunos em situação de experiência metacognitiva durante ou
imediatamente a seguir a uma tarefa cognitiva. Mas não vou dissertar sobre esse
tema, tenho neste bloguezito vários escritos sobre ele com a etiqueta "metacognição".

1 comentários:
Tal como na citação da Hannah Arendt ( que a Luísa publicou no Facebook), se se ama o suficiente o mundo e as crianças, compreende-se, sai-se fora de si e empenha-se para "dar algo de si". Tenho lido algumas posicões de alguns professores que vão exactamente no sentido contrário. Portanto, posts como estes são mesmo importantes de serem publicados.
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