segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Passa uma Borboleta por Diante de Mim

Passa uma borboleta por diante de mim E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos"

Feira de natal dos alunos do PIEF




Inaugurou hoje a Venda de Natal dos alunos do PIEF da nossa escola!

Os trabalhos foram realizados na área de Artesanato Urbano que este ano faz parte do seu curriculo. Aliás, esta vertente mais prática foi introduzina com o objectivo de proporcionar pequenas oportunidades de empreendedorismo, através das quais percebem o percurso produtivo, desde a criação, à produção e venda!

Parabéns aos alunos e à equipa técnico-pedagógica!

domingo, 13 de Dezembro de 2009

Uma pedagogia da sede

Fui buscar ao Terrear...
Um interessante convite à reflexão!!

Já se sabe que não se pode dar de beber a um cavalo que não tem sede. Já se sabe que o verbo aprender (como o verbo amar, por exemplo) suporta mal o imperativo. Já se sabe que um dos mais vitais requisitos para aprender é o querer.
Então, como é que se pode ensinar a quem não quer? Desistindo do ensino e da ideia da educabilidade de alguns seres humanos? Desistindo da ideia da contínua (ainda que lenta) perfectibilidade? Desistindo de um projecto educativo que possibilite o máximo desenvolvimento possível nas várias dimensões do ser humano (cognição, emoção, relação, socialização…)?

Desistir do mínimo/máximo possível significa reconhecer que não podemos ser professores.
Admitir que nada há a fazer a não ser entreter e custodiar significa ter de mudar de ofício e profissão. Guardadores de rebanhos. Tomadores de conta.
Para continuarmos a ser professores temos de descobrir uma pedagogia da sede e da exigência. E esta descoberta (árdua e difícil) só pode fazer-se numa lógica de cooperação entre pares, numa lógica de reinvenção dos processos de escolarização, num esforço de exigência da quota-parte de responsabilidade de todos aqueles que são responsáveis pela educação.
Nos tempos que correm – da importância vital do conhecimento – temos de saber construir respostas mais inteligentes, mais solidárias, mais inovadoras. A nossa difícil salvação também passa por aqui.

La Evaluación de los Aprendizajes Escolares:

(...) Pero no caigamos en el pesimismo: desde la evaluación es posible –y necesario- generar información relevante sobre factores y variables que limitan o posibilitan los aprendizajes de los niños y los jóvenes de manera de poder actuar oportunamente y en consecuencia. La evaluación puede incidir también en procesos educativos más integrales y acordes a las necesidades actuales. En tal sentido, hay al menos tres exigencias que hacerle a la evaluación de los aprendizajes y resultados escolares:

1 La evaluación debe validar y reforzar la idea de que la educación busca el desarrollo integral de la persona, dado que ella define lo que se hace y se prioriza en educación. Sabiendo entonces que lo que es evaluado pasa a ser la prioridad en las aulas, las escuelas y los sistemas, convirtamos a la evaluación en un ejemplo. De esta forma las evaluaciones nacionales e internacionales han de avanzar en la incorporación de otras áreas disciplinarias y grados que favorezcan una intencionalidad pedagógica y educativa que se haga cargo y responda por el desarrollo integral y armónico de todos los ciudadanos.

2 La evaluación necesita contextualizar los aprendizajes medidos. Es tiempo que el alto nivel de desarrollo tecnológico y metodológico que ha alcanzado la medición de los aprendizajes escolares, vaya de la mano con la identificación y comprensión de las condiciones y factores intra y extra escuela que favorecen y hacen posible que los estudiantes alcancen aprendizajes significativos, relevantes y estables.

3 La evaluación ha de ofrecer criterios y estrategias para mejorar su uso a nivel de las escuelas y las comunidades educativas. En efecto, todo lo anterior pierde su norte y sentido si es comprendido y utilizado sólo por los técnicos, autoridades educativas o los investigadores. Al respecto vale la pena destacar el rol privilegiado y la responsabilidad que le cabe a la evaluación en devolver a las escuelas y sus actores (docentes, directivos, padres y estudiantes), los resultados de tales procesos de una manera cercana y útil que les permita comprender los logros como consecuencia de condiciones, factores, decisiones y acciones que ocurren cotidianamente y convergen en la escuela. La evaluación bien comprendida y utilizada es un aliado estratégico e insustituible para mejorar los procesos de enseñanza y aprendizaje y con ello, el desempeño o rendimiento escolar.

Marcela Román y F. Javier Murillo

fonte

Vangelis

sábado, 12 de Dezembro de 2009

Atencion al sentimento de culpa

Las personas de baja autoestima son más proclives a los sentimientos de culpa, que refuerzan su distorsionada autoimagen


El sentimiento de culpa inunda de forma subterránea nuestras vidas, hasta el punto de regular buena parte de nuestra conducta. ¿Algún día podremos vivir en paz sin sentirnos culpables por algo?

Observemos una secuencia que podría suceder en cualquier casa: el niño o la niña juega a alcanzar un jarrón que se encuentra en lo alto de un mueble. Con el zarandeo, el jarrón se precipita al vacío rompiéndose en mil pedazos. La primera respuesta de la criatura es asustarse y llorar, o quedarse atorada. Se da cuenta de que su acción ha provocado algo anormal, es decir, que tiene una mínima conciencia de la relación entre la acción y sus consecuencias. Por eso no ríe, aunque tampoco sabe lo que debe sentir.

Entonces llega la figura cuidadora y al ver la cara que pone se da cuenta de la que le viene encima. Y llora. No por miedo, sino por la actitud con la que se le riñe. Ahora sabe lo que tiene que sentir. Acaba de descubrir algo así como un sentimiento de culpa. Hay cosas que están bien y otras que están mal.

Vale a pena ler todo o artigo
In El País

Dio, come ti amo! - Filme de 1966

Recordando tempos que não voltam e, já agora, a diferença de gerações deixo um filme do meu tempo de estudante. Este que imortaliza as paixões de uma época com motivações diferentes das da actualidade,como se pode ver no filme referenciado no post anterior.

Terei alguns colaboradores a considerar que este post se aproxima do mau gosto, mas apeteceu-me relembrar velhos tempos... Tenham paciência!

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"

Escola e reforma:quem está contra os saberes?

Um texto retirado do Terrear devido à pertinência e actualidade.

Um texto ainda muito oportuno de
Philippe Perrenoud*

Os adversários das reformas escolares tomam-se frequentemente como os guardiões do saber, acusando os que querem mudar a escola de contribuírem para a descida do nível das aprendizagens. Em todos os países desenvolvidos, encontram-se alguns “intelectuais de direita” que proclamam, por vezes com talento, que os alunos não sabem nada, a escola fabrica verdadeiros ignorantes, antigamente é que era... E certos professores reconhecem-se neste discurso e entoam o mesmo refrão.

Compreende-se o alvo: os “reformadores inconscientes”, que estão, acrescente-se, sob o domínio de um poder oculto, o dos pedagogos ou, mais globalmente nas ciências da educação, dos ideólogos que “não têm os pés na terra”. Estes termos, que permanecem frequentemente muito vagos, designam um bode expiatório e tentam, de forma demagógica, captar as inquietudes dos professores e dos pais a quem as reformas assustam por várias razões.

Ora, primeiro ponto, o nível não desce. Dizê-lo é fazer prova de uma total ignorância dos factos. No início do século XX, 4% dos jovens faziam estudos secundários, sendo hoje 60% em França, mais de 30% em Genebra (65% em Portugal). Não se pode comparar os alunos do Básico de ontem e de hoje, fazendo abstracção do facto de que eles representam hoje uma importante fracção de cada geração. Além disso, os programas não cessaram de se complexificar, as Escolas Básicas assumem uma parte do que se ensinava na Universidade. Certos
professores (e brilhantes analistas da praça...) que afirmam que o nível desce, teriam talvez alguma dificuldade (para usar uma expressão suave) em passar nos exames do Ensino Secundário que hoje se fazem! (Gostaria de ver, por exemplo, Medina Carreira a fazer o exame de Físíca e Química ou de Português do Ensino Secundário).

O nível de instrução não cessa de se elevar, mesmo na ortografia, quando a escola já não passa um tempo louco a ensiná-la. Os aprendentes “já não sabem escrever”, ouve-se muitas vezes. Esquece-se que os aprendentes, nos anos sessenta, representavam uma forma de elite, uma vez que um terço dos jovens entrava na vida activa sem aprendizagem. Hoje, apenas alguns por cento deixam a escola no fim da escolaridade obrigatória.

Significa isto que tudo vai bem? Não, porque o que importa é a relação entre o nível de instrução das pessoas e o grau de complexidade da nossa sociedade. Os jovens são cada vez melhor formados, mas a complexidade do mundo evolui ainda mais depressa, no domínio das tecnologias, do trabalho, dos media, do direito, da economia, dos conflitos, das migrações, da saúde, da segurança social, da alimentação, etc.

Esta décalage não pode ser imputada à escola, que trabalha, justamente, para a combater. É o único motor das reformas escolares: aumentar o nível de instrução do maior número de alunos e tornar a escola mais eficaz. Pode-se debater as estratégias de mudança, os programas, os métodos, a avaliação. Dizer que as reformas voltam as costas aos saberes vai contra a
verdade e é uma asneira. Desafio os que mantêm este discurso a citar uma só reforma que despreze os saberes.

Dizer que os pedagogos ou os investigadores em educação são “contra os saberes” é fazer prova de um desconhecimento total dos trabalhos realizados e de uma má fé imperdoável por parte de quem é suposto possuir o rigor e o espírito científico. Todos os professores implicados nas reformas, todos os pedagogos, todos os investigadores procuram, ao contrário, compreender o que impede a aprendizagem e o desenvolvimento dos meios de instruir as crianças que não têm o estatuto dos herdeiros.

Não se instrui alguém dando-lhe más notas e excluindo-o da escola. Mas é talvez este o sonho dos conservadores: não ter senão bons alunos, enviar o mais rapidamente os outros para “a vida activa”. O sonho dos que não sabem ensinar senão os alunos que aprendem sozinhos, sem resistência, sem esforço porque vêm de um “bom meio” e têm uma relação com o saber
favorável aos estudos. Os pedagogos e as Ciências da Educação preocupam-se com os outros. Cada um que escolha o seu campo!

*in Tribune de Genève, 1-2 Dezembro de 2001

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Depois das Aulas


Deixo aqui a sugestão do filme Depois das Aulas, que estreou ontem em Portugal.

Ainda não o vi, mas pela crítica é um filme capaz de resumir a conjuntura audio-visual e virtual em que vivemos. Do americano, de ascendência brasileira, Antonio Campos é uma viagem assombrada pelos terrenos instáveis da relação dos jovens estudantes com a internet e, em particular, com o youtube.

Muito apropriado para a época em que vivemos, para o nosso papel de pais, professores, e mesmo de utilizadores!

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Do Agrupamento de Alunos

Comparação dos grupos flexíveis com outras estratégias de formação de grupos

Os GRUPOS flexíveis são apenas uma de várias téc­nicas que podem ser utilizadas para responder às diferenças apresentadas pelos alunos. Vejamos as diferenças entre os grupos flexíveis e outras quatro maneiras de agrupar os alunos.

Grupos habituais: Os alunos são agrupados de acordo com capacidades de aprendizagem gerais e não de acordo com determinados talentos ou limita­ções. Por exemplo, em matemática ou língua portu­guesa, Os GRUPOS permanecem inalterados, sejam quais forem as disciplinas, todos os dias, e os alunos raramente se deslocam para fora dos seus grupos ­mesmo de ano para ano.
Grupos de capacidade/aptidão: Os alunos são agrupados segundo os resultados obtidos em testes estandardizados de aptidão, de inteligência ou de capacidade. Se os grupos se mantêm inaltera­dos, em todas ou na maioria das disciplinas, este método de formação de grupos torna-se equivalente ao dos grupos habituais.

Grupos de desempenho:
Os alunos são agru­pados de acordo com as suas notas ou desempenho académico numa área particular - por exemplo, colocação em turmas com um ritmo de aprendiza­gem mais rápido, mais alargado ou avançado.

Grupos cooperativos: Os alunos são agrupados para poderem habalhar em cooperação, pertencendo a escolha dos elementos dos grupos quer ao professor- quer aos alunos.

Grupos flexíveis de instrução: Os alunos são agrupados de acordo com as suas necessidades, pon­tos fortes e preferências de aprendizagem. Os grupos são alterados, com regularidade, de modo a adequar as necessidades dos alunos à tarefa a executar.

É particularmente importante compreender as diferenças entre os grupos de capacidade/aptidão, os grupos cooperativos e os grupos flexíveis. Devemos ter em mente, porém, que mesmo numa turma de alunos agrupados segundo o critério de aptidão ou desem­penho, o professor pode ainda assim usar técnicas de formação de grupos flexíveis que tragam vanta­gens para os seus alunos. Neste caso, o professor terá um leque de capacidades e de diferenças de aprendizagem mais estreito do que o existente numa turma heterogénea, mas ainda detectará variações no ritmo de aprendizagem, nas preferências e nos intel"esses, com os quais se lidará de forma mais efi­ciente com o uso de grupos flexíveis.

Diane Heacox (2006). Diferenciação Curricular na Sala de Aula. Porto: Porto Editora